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Análise Do Texto - “Educação Física: Temos o que Ensinar?”– do Autor: Vago, T.M.

Por Elaine I. de Oliveira
Em seu artigo (Educação Física: Temos o que Ensinar?), Vago(1995) afirma que a Educação Física sempre teve o que ensinar, e seu ensino articulou-se aos diferentes contextos históricos que determinaram o que ela deveria ensinar.
Nos séculos XVIII e XIX a Educação Física respondia a necessidade social de preparar (fisicamente) a mão de obra infantil para o trabalho nas fábricas, bem como respondia a necessidade de disciplinar as crianças, dotando-as de comportamentos compatíveis com as normas escolares.Para atender essas necessidades sociais, determinadas pelo contexto histórico, a Educação Física incorporou métodos de preparação física desenvolvidos em instituições militares, e no Brasil incorporou também conceitos higienistas, enfatizando a formação de corpos fortes, sadios e dispostos a ação.
Em um momento posterior, após a II Guerra, o esporte de rendimento, transformado em mercadoria pelo sistema capitalista, foi incorporado pela Educação Física como um novo determinante para seu ensino. Estabelece-se então, entre a Educação Física e o esporte, uma relação de dependência, ficando esta reduzida ao desporto de rendimento.
Nas décadas de 70 e80 a Educação Física fundamentou-se na psicomotricidade (que visa aprimorar o esquema corporal, a lateralidade e a percepção espaço-temporal), e na abordagem desenvolvimentista, ficando seu ensino voltado a garantir a aprendizagem de habilidades motoras básicas.Neste contexto o movimento humano é isto como algo natural, universal e padronizado, não sendo pensado e tratado a partir do patrimônio cultural e histórico que se expressa nele.
Porém nunca faltou à Educação Física o que ensinar, como cita Vago.Ensinou (ou ensina?) disciplina, ordem na escola e no trabalho, exercícios para melhorar a saúde, técnicas esportivas carregadas de valores que exaltam os vitoriosos. Ensino este vinculado com os momentos históricos do país e do mundo, e visando preservar intacta a estrutura da organização social, quando deveria contribuir para que os alunos problematizassem essa organização social, posicionando-se diante dela. Contribuir par ao processo de formação humana que a escola realiza.
Outro aspecto abordado pelo autor diz respeito a questão da corporeidade. Ele afirma que a escola não pode negar a corporeidade se quer agir sobre a totalidade humana, se visa formar seres humanos que conhecem criticamente seu tempo, suas glórias e suas desgraças; se pretende uma formação aberta às múltiplas possibilidades de expressão e relações humanas. Neste sentido a escola, e nela a Educação Física, ao olhar para o corpo humano,podem compreendê-lo como um lugar onde o homem vive servidão e liberdade, onde manifesta gestos, expressões e movimentos carregados de significados. Homem esse com uma dimensão singular e uma dimensão social. Um ser único, com expressões, gestos e movimentos próprios, mas inserido num contexto social, portanto vivendo sua corporeidade socialmente e junto à corporeidade de outros seres humanos, originou, através da história, o patrimônio lúdico da humanidade, chamado por alguns autores de cultura corporal.
Discorre também o autor sobre outras questões em relação a Educação Física, levando-nos a refletir se a mesma atingirá as dimensões singular e social do ser humano. Ele afirma que depende de muitos fatores. Depende de nossa luta pela melhoria da rede pública de ensino, depende da Educação Física se permitir abdicar da concepção unilateral de ser humano que privilegia o biológico;depende da educação física se deixar contagiar pela capacidade que o homem tem de criar, inventar, viver e sentir; depende da Educação física ver que o ser humano é corporeidade, que também pode ser provada ludicamente.
Afirma Vago que a Educação Física tem muito o que ensinar na escola. Ensinar, a partir da história de movimentos dos sujeitos singulares que estão na aula, o patrimônio lúdico da humanidade; ensinar a gostar e curtir seu próprio corpo e o corpo do outro;ensinar a observar criticamente as condições que o homem tem para viver sua corporeidade; ensinar tomando cuidado para que seu ensino não contribua para segregação, fragmentação do homem, individualismo, etc..
Por fim o autor indaga que partido a Educação física vai tomar diante da tensão entre a liberdade e servidão vividas e expressas no e pelo corpo humano recolocando a reflexão já apresentada no texto
Esta é a síntese do artigo de Vago, o qual nos leva a refletir sobre algumas questões dentre as quais a contribuição que a Educação física tem a oferecer à formação humana e de que forma irá fazer isso. Concordo com o autor que afirma que a Educação Física tem o que ensinar na escola e que pode contribuir sim para a formação humana desde que veja o homem como um ser corpóreo, que se expressa corporalmente. Veja-o como um ser único que possui gestos expressões e movimentos que lhe são próprios. Ser que não age por partes e sim como um todo. Ser que chora, ri, brinca, age, pensa, cria, ...Vive sua corporeidade. Ser que também possui uma dimensão social e vive sua corporeidade socialmente, criando junto com outros seres humanos a cultural corporal de movimento, que é atualmente “conteúdo” de ensino da educação física. Cultura corporal que acontece na sociedade e deve ser analisada, repensada e contextualizada pelos professores de educação física para descobrir como querem que ela ocorra na escola. Ocorra da forma que está instituída na sociedade? Valorizando os vitoriosos, a competição exacerbada, a rivalidade, a seletividade, ou fazendo o aluno refletir estas questões e levando-o a assumir a postura de produtor dessa cultura corporal? Levando-o a ser crítico, solidário, participativo e sujeito cidadão.
E de que forma a educação física fará isso? Tolhendo a liberdade do homem de manifestar e viver sua corporeidade, ou ensinando-o no 'espaço da liberdade”(Freire, 1997), onde é permitido movimentar-se, criticar, brincar, sentir, dialogar, recriar, transformar...? Espero que seja ensinando no espaço da liberdade, permitindo ao aluno viver e expressar sua corporeidade!
BIBLIOGRAFIA
FREIRE, J.B. Educação de corpo inteiro: teoria e pratica da educação física. São Paulo: Scipione, 1997.
VAGO, T. M. Educação física escolar: temos o que ensinar? São Paulo: Ver. Paul. Educ. Fis, supl. 1p.20- 24,1995.
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